Mostrando postagens com marcador Material Jornalístico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Material Jornalístico. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Moradores da vila Mandacarú retornam às casas e avaliam os estragos da cheia

O que eram móveis, hoje viraram entulho. (Rua da casa de Seu Gerson, vila Mandacarú)

A vila Mandacarú, zona sudeste de Teresina, uma das regiões mais afetadas pela elevação do nível do rio Poty na capital, teve um dia de exaustivo trabalho nesta quinta-feira (07/05). A água havia alcançado o teto das residências e causou muitos estragos. Mesmo depois das águas baixarem, as casas ainda estavam cobertas de lama e infestadas de cobras. Com a diminuição do nível das águas do rio Poty, a maior parte dos moradores da vila resolveu voltar hoje para começar a limpar a sujeira deixada pela inundação e contabilizar os prejuízos da maior cheia da história do rio.

Seu Gerson, morador da vila, disse que havia voltado hoje com medo de que sua casa fosse saqueada."A água veio muito rápido, ficou tudo aqui. Só tirei a televisão, que é a primeira coisa que o pobre tira (risos), a geladeira, o fogão e pronto... ainda salvei o 'cachorrim' que tava na hora" (sic).


Alguns moradores já procuravam sair da vila. Não é difícil imaginar a razão.

Seu Gerson é uma das vítimas dos efeitos das fortes chuvas no nordeste em 2009. Só em Teresina, o número de moradores afetados pelas chuvas e pela enchente do Rio Poty chega a mais de 10.000 pessoas. Ele me contou que está hospedado na casa de amigos e que está cadastrado no projeto "Família Acolhedora" da prefeitura de Teresina. Segundo ele, o projeto auxilia de verdade com cestas básicas, colchões e etc, mas a ajuda ainda não veio para ele porque as pessoas priorizadas no atendimento são aquelas que estão em abrigos improvisados, em função da facilidade na entrega do auxílio.

*Clique nas imagens para visualizá-las melhor.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Concurso Universitário de Jornalismo da CNN


Abri a caixa de entrada do meu blogger-mail na manhã de hoje e me deparei com uma surpresa bem interessante. A CNN International está promovendo a edição 2009 do concurso de Jornalismo Universitário. Somente estudantes de graduação em Jornalismo podem participar. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até dia 29 de junho de 2009. O tema deste ano é "O uso da tecnologia no desenvolvimento social".

A novidade dessa nova edição é que o estudante poderá enviar um vídeo de até 2 minutos postado no YouTube, sendo que ele poderá produzir quantas matérias quiser. O link do vídeo no Youtube deve ser apresentado no momento da submissão do trabalho. O ganhador terá a oportunidade de conhecer os estúdios da CNN International, além de ter sua matéria exibida pelo canal. Pelas regras do evento, o vídeo pode ser filmado até mesmo por um celular ou uma câmera fotográfica. Porém, é preferível que o vídeo da matéria seja produzido com uma câmera com uma qualidade de captação razoável, já que o vencedor terá sua matéria exibida pela CNN.

Para mais informações, visite o site e o Blog oficial do concurso. O link para inscrição pode ser encontrado aqui. Ainda tem dúvidas? Visite a página de perguntas frequentes.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Intercom Nordeste 2009 - Teresina

Pois é, semana que vem veio e eu não disse o que estava planejando...


Então, eu me referí anteriormente ao Intercom 2009. Essa será a minha grande ocupação nesse semestre (além da infinidade de disciplinas que tenho que pagar. =P). O Intercom Nordeste é um congresso regional anual realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). A edição 2009 será realizada na nossa querida Teresina, nas instalações da nossa, mais querida ainda, Universidade Federal do Piauí, durante os dias 14 a 16 de Maio, e terá a coordenação das professoras Ana Regina Rêgo, Samantha Castelo Branco, Cristiane Portela e do professor-doutor Laerte Magalhães.
O Intercom será dividido em três eventos principais: Expocom, Intercom Jr e os Grupos de Trabalho.

Os Grupos de Trabalho serão destinados a comunicadores já graduados, estudantes de especialização, mestrado, professores e profissionais com pesquisas empíricas e estudos aplicados no âmbito da comunicação.

No Expocom e no Intercom Júnior serão apresentados os trabalhos selecionados pela comissão de avaliação do evento. O prazo para a submissão de trabalhos, que serão enviados pela internet, se encerra no dia 12/04/2009. A Expocom será uma espécie de demonstração das produções das IES. Para inscrever um trabalho feito para a faculdade (jornais laboratórios, ensaios fotográficos...) os autores devem procurar as chefias de departamento de cada curso para que a IES inscreva o aluno na Expocom. Para enviar um trabalho para o Intercom Jr você deve preencher a ficha de inscrição e efetuar o pagamento do boleto bancário até 09/04. O envio do trabalho poderá ser feito pela sua conta de inscrito. O julgamento e a classificação dos trabalhos serão feitos durante o Congresso Regional em sessões públicas. No Intercom Jr, que é destinado aos estudantes de graduação em comunicação, o projeto também terá a orientação de um professor da instituição. O Intercom Júnior tem a seguinte divisão temática:

- Divisão de Jornalismo - Divisão de Publicidade e Propaganda - Divisão de Relações Públicas e Comunicação Organizacional - Divisão de Comunicação Audiovisual) - Divisão de Comunicação Multimídia - Divisão de Interfaces Comunicacionais - Divisão de Comunicação, Espaço e Cidadania - Divisão de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

O projeto em que estou incluído (além do trabalho voluntário que pretendo integrar), será apresentado no Intercom Júnior. O tema envolverá a internet e o seu potencial de popularização do acesso aos conteúdos culturais. Ainda está meio vago e disperso, mas quero encontrar uma maneira bem simples e prática de abranger também a capacidade de interação e de produção de bens culturais dentro dessa mídia por parte das camadas mais populares.

Pra falar a verdade, estou meio perdido nisso, mas nada que ameace a realização desse projeto que, com certeza, é uma das minhas prioridades desse semestre.

- Você encontra mais informações na página oficial do Intercom Nordeste e no site oficial do Intercom 2009 Teresina.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Questão Serra Vermelha



Pois é pessoal, eu também estou falando disso aqui. Fiz uma prática de reportagem e escolhi essa pauta. Realmente, é um tema que precisa ser lembrado.

***
Serra Vermelha
O problema do desmatamento e do descaso político


A imprensa piauiense ultimamente, por volta de dois anos e mais recentemente, tem pautado bastante a questão da necessidade de preservação da região da Serra Vermelha. Isto se deve ao acirramento das reivindicações das ONG’s que exigem a transformação da área em um Parque Nacional.

A Serra Vermelha é uma região de 114.755 mil hectares, que se localiza ao sul do Piauí, no chamado Chapadão do Gurguéia. Sua área abrange os municípios de Curimatá, Redenção do Gurguéia, Morro Cabeça no Tempo e uma pequena área de Bom Jesus. Segundo ambientalistas, ela engloba os Biomas da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica (que, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), já teria tido cerca de 93% de sua extensão devastada) e, além de abrigar uma infinidade de espécies de fauna e flora ainda desconhecidas, uma das maiores biodiversidades do interior nordestino, a região ainda conta com diversas nascentes.

A área da Serra Vermelha é um importante resquício da Mata Atlântica e possui um valor natural inestimável, porém enfrenta muitos problemas. A Serra Vermelha, além de estar inserida na zona de risco do processo de desertificação de Gilbués, enfrenta o grave drama do desmatamento para a produção de carvão. Este ponto, especialmente, não foi solucionado pelo fato da região ainda não possuir a titulação de Parque Nacional, então não pode usufruir da proteção ambiental governamental dada a uma Unidade de Conservação (UC).

O ponto central da questão da Serra Vermelha tem sido a existência de um projeto que autoriza a atividade de uma empresa carioca de produção de carvão na área da serra. Este projeto, que se chama “Energia Verde”, trata-se de um empreendimento voltado à produção de carvão vegetal para a obtenção de ferro-gusa. Segundo a empresa responsável, a JB Carbon S/A, ele diferencia-se dos demais por corresponder a um "projeto de uso sustentável", concretizado sob as técnicas de Manejo Florestal Sustentável, sem desmatamento e sem fogo. A empresa afirma que a iniciativa é feita com mão de obra local e com carteira assinada.

A JB Carbon entende que o projeto é necessário, haja vista que o carvão e a lenha são a segunda fonte de energia naquela região, o que ratifica o caráter sustentável da obra. A área manejada seria de seis mil hectares por ano, somando 78 mil hectares de mata virgem desmatados. Segundo a empresa, cada área utilizada só seria reutilizada após 13 anos. A empresa reitera que esse ciclo permite a regeneração natural de 100% da Caatinga, por tocos, sementes ou raízes. O plano prevê ainda programas de educação ambiental e integração sócio-ambiental, de prevenção e combate a incêndios e de monitoramento da fauna em todo o território da Serra Vermelha.

À luz de tais argumentos, a iniciativa ganhou 12 anos de isenção fiscal do Governo do Piauí. No entanto, no dia doze de Abril de 2008, o projeto foi paralisado judicialmente por medidas tomadas pelo Procurador da República no Estado, Tranvanvan Feitosa, e mediante decisão unânime do corpo de desembargadores da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal-TRF da 1ª região, em Brasília.

A medida de suspensão da licença foi fortemente apoiada pelos ambientalistas no Piauí, já que a empresa JB Carbon tinha, na região, mais de trezentos fornos que produziam carvão vegetal em escala industrial, cerca de 7,5 mil toneladas mensais. O Secretário geral da Rede Ambiental do Piauí (REAPI), Hugo Prado Sobrinho, em entrevista à nossa equipe, disse que isso foi uma vitória, mas os ambientalistas ainda têm que enfrentar várias pedras no caminho para conseguir a preservação da Serra Vermelha. Estas incluiriam o IBAMA-PI, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR) além do próprio Governo Estadual, incluindo o Governador Wellington Dias e todos os deputados. Segundo ele, todos são contra a criação do Parque Nacional. Hugo também afirma que outra empresa, que ainda atua na área, estaria servindo como uma espécie de “laranja” da JB Carbon enquanto não se tem a oficialização do que será resolvido.

Hugo Prado lembra que, mesmo o presidente já tendo se mostrado favorável ao projeto de preservação da área, o decreto que criava o Parque Nacional da Serra Vermelha, que precisava do aval do executivo, foi vetado pelo presidente Lula a pedido do governador Wellington Dias, que afirmou em Setembro de 2007 que não quer a criação de mais parques no estado.

A Política e Meio Ambiente

Agora o ponto seguinte revela mais uma questão: Que motivos a base do governo do Piauí teria para se posicionar contra a criação do Parque Nacional da Serra Vermelha?

O governador Wellington Dias argumentou que a criação do parque inviabilizará o desenvolvimento do estado, causando desemprego e desalojamento de famílias da região. A REAPI, junto a ONG’s do país inteiro, se manifestou completamente contrária à posição do governador. Para a secretaria geral da REAPI, a questão política e a agroindústria são os principais fatores que barram a criação do parque. O ambientalista Luciano Muniz chegou até a afirmar, há um ano, que o governador estaria fazendo um verdadeiro “terrorismo psicológico” com esses argumentos. Para Muniz, a suspensão do plano de criação do parque, se deve ao fato da existência do Parque ir de encontro com os interesses de políticos e grandes agricultores da região que pretendiam utilizar a área da serra para o desmatamento com projetos como o “Energia Verde”. Nada se pode afirmar, mas vale a pena ressaltar que a JB Carbon também aparece como uma das doadoras de recursos para campanha de reeleição do governador do Piauí, Wellington Dias (PT) no ano de 2006.

IBAMA

Face à realidade apresentada, é inevitável questionar-se também: Por que o IBAMA deu o aval à concretização do projeto Energia Verde?

O esclarecimento dado pelo órgão responsável pelos estudos ambientais e liberação de licenças ambientais, o IBAMA, nos foi dado pelo Analista Ambiental, Euller Paiva. Ele disse que, segundo o IBAMA, a região da Serra vermelha não faz parte da formação vegetal da Mata Atlântica, mas sim do Cerrado. A formação da Serra Vermelha é peculiar, se comparada às demais apresentações cerradanas. A vegetação é arbórea, diferente das formações gramíneas com árvores e arbustos esparsos.

A aprovação do projeto se justifica por sua proposta inicial que, em tese, é bastante interessante. É proposta a Técnica do manejo, que é diferente do desmatamento. O projeto inicial previa a preservação de árvores sementeiras, bem como de árvores muito novas, e de 30 % da área original, o que é chamado pela lei de Reserva Legal. Além de salvaguardar a reserva legal, a JB Carbon S/A presumia a manutenção das Áreas de Preservação Permanente (APP’s). Ou seja, no papel a idéia é muito boa, iria gerar empregos, renda e não danificaria o meio ambiente.

A real prática da citada empresa só foi constatada pelo IBAMA após a repercussão das discussões instigadas pelas ONG’s. Com o debate, o Ministério Público averiguou a real situação. Descobriu-se que a SEMAR foi o órgão responsável pela licença dos fornos. Com isso, o MP determinou a suspensão das atividades de produção de carvão vegetal na Serra Vermelha. Só depois de tal averiguação, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA, pesquisou e constatou que de fato, a atividade era irregular e a prática que lá se constituia era a do desmatamento. Nesse intervalo, a JB Carbon conseguiu, com uma juíza de Brasília, uma autorização para que o projeto voltasse a funcionar. Contudo, o IBAMA constatou que o plano de manejo havia sido cancelado, outras irregularidades foram detectadas e o plano “Energia Verde” está parado novamente.

O analista ambiental, Euller Paiva, aponta ainda alguns equívocos nas ações do IBAMA, e prevê que novos problemas possam surgir em decorrência de tais faltas. Segundo Euller, deve ser feito a princípio de toda e qualquer ação, naquele orgão, a verificação da Titularidade Fundiária. Há uma falha técnica, por falta de verificação das informações. Todavia, tal questão não concentra suas raízes apenas no IBAMA. A falta de cartórios informatizados no interior do estado é um grande facilitador a esta situação.

Portanto, mesmo com a tentativa de reparação do erro, suspendendo a licença dada à JB Carbon, o IBAMA, devido à falta de recursos para fiscalização, cometeu uma falha que trouxe consequências drásticas à Serra Vermelha e poderá trazer a muitas regiões como esta. Será que o governo terá mesmo condições de manter a Serra Vermelha como um Parque Nacional, preservando a biodiversidade, oferecendo boas condições de vida aos habitantes da região ou será que a criação do Parque Nacional não passaria apenas mais um evento em um lugar que logo seria esquecido junto com sua população e suas “importâncias naturais”, assim como o Parque Nacional de Sete Cidades ou o da Serra da Capivara?



Juscelino Ribeiro Jr.
Giovanna Jael